“A população do Príncipe tem um papel essencial na Mudança e Progresso do Príncipe”

 Presidente Cassandra diz que a população do Príncipe tem o papel preponderante na mudança e Progresso do Príncipe

Presidente Cassandra diz que a população do Príncipe tem o papel preponderante na mudança e Progresso do Príncipe

Príncipe, 02/11/2012 – Numa entrevista a Comunicação Social, o presidente do Governo Regional, José Cardoso Cassandra  fala sobre o papel preponderante da população residente no Príncipe desde que assumiu a chefia do Governo Regional do Príncipe e  fala ainda se irá  candidatar de novo ou não

Leia na intégra a entrevista:

 

 

— Está no último ano do seu segundo mandato. O que mudou na Região Autónoma do Príncipe desde que assumiu a chefia do Governo Regional?

Presidente Cassandra: “Tudo o que disse, anteriormente sobre o balanço sintético da autonomia, parece configurar uma mudança estrutural, no método e forma de servir os interesses regionais e nacionais, decorrente do processo de autonomia, de que o Governo Regional, por mim liderado, teve um papel preponderante em várias fases, não menosprezando o papel essencial da população residente no Príncipe que, desde a primeira hora, abraçou este processo com total mobilização, empenho, interesse e abnegação. Em síntese, o processo autonómico, tendo em conta os resultados conseguidos, deveria servir de reflexão nacional, volto a repetir, de reflexão nacional, para que o Estado pudesse encontrar instrumentos políticos e legislativos que melhorassem a sua organização, de forma a ultrapassarmos a crise em que o mesmo se encontra mergulhado e proceder à sua renovação, em bases sustentadas, rumo ao desenvolvimento, a partir de critérios de eficácia e de racionalidade na implementação do poder político do Estado. Por isso é que defendemos, decorrente desta avaliação, maior aprofundamento autonómico que vá de encontro aos mecanismos de defesa dos interesses regionais e nacionais de organização e eficiência do próprio Estado”.

População  do Príncipe

População do Príncipe

— Definiu a educação e a infra-estruturação como prioridades dos seus dois mandatos. As metas estão a ser cumpridas, que melhorias ocorreram nas duas áreas?

Presidente Cassandra: “Ao nível da Educação, tendo em conta as limitações ou constrangimentos, de natureza diversa, podemos concluir que as metas estão a ser cumpridas. A nossa preocupação, desde o início, dentro do nosso campo de intervenção política e organizacional, estavam direcionadas para esforços e formulação de políticas de educação, no contexto regional, que pudessem contribuir para assegurar plena cidadania e igualdade de oportunidade a todos os residentes no Príncipe, independentemente da sua origem social, económica ou de outra espécie. Assim sendo, três critérios estiveram na base de suporte a este desiderato: acessibilidade, abrangência e coerência organizacional. Por isso decidimos, em primeiro lugar, erguer, em todas as zonas da região, Abade, Nova Estrela, Porto Real, Sundy, Praia Burra, Aeroporto e outras zonas do interior da ilha, um parque pré-escolar que pudesse, neste nível de ensino, proporcionar a todas as crianças da nossa região, o direito à educação com imperativos de eficiência e qualidade, sobretudo nesta fase importante da vida das mesmas em que a sociabilização e primeiras experiências pedagógicas podem ter efeitos positivos, posteriormente, na democratização do ensino, sucesso escolar e cumprimento de escolaridade obrigatória. Isto está a ter um enorme sucesso tendo em conta os indicadores que nos têm chegado. Por outro lado, nos outros níveis de ensino, procurámos encontrar respostas de natureza pedagógica e de organização e gestão escolar, para estancar a degradação do ensino no contexto regional que se estava a verificar e permitir a formação superior para os nossos jovens que concluíam o ensino secundário. Por isso estabelecemos parcerias, no contexto de geminação, com algumas autarquias de Portugal e Cabo Verde, para dar respostas para estes problemas. É óbvio que ainda persistem constrangimentos, nomeadamente, no que se refere a formação de professores que garantam, sobretudo no ensino secundário, a tal abrangência e coerência do sistema educativo com imperativos de eficiência e qualidade. No que se relaciona com a infraestruturação da região as coisas parecem caminhar de forma positiva com a criação de condições, após a assinatura do contrato, que permitirá a construção, provavelmente no próximo ano, de uma pista nova para o aeroporto regional que melhorará as condições logísticas e de operacionalidade do referido aeroporto. E, no que se concerne ao Porto, persistem estudos técnicos, a montante, cá na ilha do Príncipe, para que estejam criadas condições, com mínimo impacto ambiental, para a edificação de um novo porto que sirva melhor os interesses regionais. É óbvio que estas duas infraestruturas servirão de suporte ao desenvolvimento económico da região e, consequentemente, do país e também constituem mais-valias incontornáveis para o reforço ou aprofundamento da autonomia. Ainda neste capítulo, conseguimos levar energia elétrica para seis comunidades, construímos casas sociais e reabilitamos as vias de comunicação do norte e do sul (estradas) e neste momento estamos a concluir a reabilitação da estrada do centro da cidade e arredores”.

— Apresentou recentemente o Plano e Agenda de Desenvolvimento Sustentável da Região Autónoma do Príncipe. Quais são os eixos fundamentais desse plano e que importância atribui à sua aprovaçao?

Presidente Cassandra:  “Os eixos fundamentais deste Plano estão relacionados com quatro valências. Em primeiro lugar a criação de condições, com implementação de medidas, algumas das quais já iniciadas, que permitam uma mudança radical de comportamento, no contexto regional, de reforço de participação crítica dos cidadãos nos assuntos de interesse público, salvaguardando o interesse das gerações futuras, gerando, momentaneamente, a construção de uma “Nova Cidadania”. O futuro é, sempre, uma construção que deve ser prevista com coerência e quando as decisões são tomadas somente com uma visão de curto prazo, sem criticismo, e sem considerar as implicações do longo prazo, perde-se a racionalidade, sobretudo nos domínios como o meio ambiente, a estabilidades institucional e a sustentabilidade de uma forma geral. A gestão destes e outros domínios exige mudanças ao nível individual, ao nível coletivo e no seio das próprias instituições para que o futuro seja uma realidade. Em segundo lugar a proteção da biodiversidade. Com o debate que se tem travado, um pouco por todo o lado, sobre as mudanças climáticas, o futuro passou a fazer parte, da política do presente, de forma inevitável. Em terceiro lugar a promoção de um modelo de desenvolvimento fomentador da atividade económica regional cujo passado e o presente não podem ser desprezados. Temos uma rica História, no domínio agrícola, em que o Cacau e o Café, desempenharam um papel fundamental, para além de atributos tecnológicos que suportaram, no passado, a referida atividade, como as antigas roças e linhas de caminho-de-ferro e atividade Científica relacionada com a comprovação da teoria da relatividade de Einstein que foi feita, cá na ilha do Príncipe, em 1919. No fundo, trata-se de repolitização do futuro tendo em conta as ações do presente e não desprezando o passado. Por último trata-se de criação de instrumentos que permitam o enquadramento e promoção do ordenamento do território regional numa perspetiva de salvaguarda das exigências do futuro. É óbvio que, tratando-se de um Plano de Desenvolvimento que teve um suporte de participação popular muito abrangente e crítico, esperamos, para breve, a sua aprovação na Assembleia Regional e, sobretudo, da parte do governo central o mesmo entendimento que temos, ou seja, que ele trará desenvolvimento ao Príncipe e ao país, de uma forma geral, e seria desejável que esforços conjuntos fossem feitos para mobilização de todos os meios, financeiros e materiais, para a sua materialização”.

— Quando terá início a implementação?

Presidente Cassandra: ” O plano de Desenvolvimento do Príncipe é uma realidade dinâmica. Desde a sua génese, que teve início no meu primeiro mandato e teve várias fases, desde a sensibilização de muitos agentes, internos e externos, dezenas de reuniões, estudos preliminares, palestras, reflexões, levantamentos de dados sociais, demográficos e de outra natureza, elaboração do projeto inicial e debates sobre o seu conteúdo, escolha e definição de parceiros, etc., até o momento presente, foi percorrido um caminho árduo e exigente. A implementação do Plano, entendida como o arranque formal de algumas obras de maior relevo, como infraestruturas que suportarão a sua execução, pode-se concluir que já começou. A recente atribuição ao Príncipe, pelo Conselho Internacional de Coordenação do programa MAb da Unesco, de Membro da Rede Mundial de Reservas da Biosfera, é, por si só, entre outros eventos, um sinal de implementação formal de tal Plano que tem um caráter transversal.”

 — Ser o Presidente do Governo Regional do Príncipe é gratificante?

Presidente Cassandra: “Definitivamente, em termos pessoais e/ou familiares, não! Os problemas, para dar resposta, são múltiplos e exigem uma concentração exagerada, em termos de energia e mobilização de recursos públicos, que são parcos, para os problemas do presente, que não ajudam a configurar o futuro com racionalidade e disponibilidade desejável. Isto tem custos sobretudo para alguém como eu que tem tendência a viver de forma emocional os problemas e dificuldades individuais das pessoas e não desligo o interruptor despois de despir o casaco de Presidente do Governo Regional. Por outro lado é muito gratificante a tarefa de participar diretamente, como primeiro dinamizador, em tarefas de elaboração e materialização de políticas públicas que acabam por contribuir, de uma forma ou de outra, para modificar e melhorar a vida das pessoas”.

— Qual foi a situação mais grave com que foi confrontado ao longo dos dois mandatos?

Presidente Cassandra: “Provavelmente o momento de criação de condições para a aprovação do novo Estatuto Político e Administrativo da Região Autónoma do Príncipe tendo em conta a energia, mobilização popular e a convicção profunda, que existia no contexto regional, de que estávamos a criar um instrumento legislativo e de organização política e administrativa que iria minimizar os nossos crónicos problemas e que culminou com alguns desentendimentos, momentaneamente ultrapassados, com a ministra de Defesa daquela altura, a minha amiga Elsa Pinto”.

— Vai candidatar-se a um novo mandato?

Presidente Cassandra: “No final do mandato faremos uma avaliação, no interior da UMPP, sobre os dois mandatos, sem complexos de qualquer natureza, e embora, no contexto pessoal, sinta algum cansaço, darei o meu contributo para que se encontre a solução ideal que sirva os interesses do Príncipe e possa salvaguardar as conquistas que conseguimos neste contexto temporal”.

Governo Regional do Príncipe – GRP
Assessoria de Comunicação Social
(239) 2251 013

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2 respostas a “A população do Príncipe tem um papel essencial na Mudança e Progresso do Príncipe”

  1. Filipe Costa Guerreiro diz:

    Muito boa entrevista. Estão de parabéns pelo prémio que receberam e permite criar condições para a defesa do ambiente ai na vossa ilha e incrementar o desenvolvimento do turismo. Continuem assim. Em África já se começa a fazer coisas bonitas… Parece que existe ai alguma organização e rumo definido. Continuem com o mesmo empenho e interesse e não se metam em guerras, golpes de estado e lutas intestinais que não vos levará a lado nenhum. Parabéns e muitas felicidades para todos que servem os vossos legítimos interesses.

  2. André Sanhã diz:

    Boa entrevista, sim senhor. Bem estruturada, com cabeça, tronco e membros. Sabem onde estão e para onde querem ir, e com que meios contam, muito embora existam problemas como em qualquer parte do mundo. A África começa a ter pessoas com qualidade nas suas lideranças. É bom começar a constatar isto. No meu país infelizmente as coisas estão mal, com golpes de estado, falta de respeito para com o povo, mortes e assassinatos. Desejo felicidades e vida longa ao senhor presidente do Príncipe.

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